27.8.08

E se hoje ganhássemos ao Madrid?

A mulher, mesmo à minha frente, mandou o maço de cigarros vazio para o chão. Eu achei que o facto de ela ser extremamente bonita não lha dava o direito de mandar maços de tabaco para o chão, ainda para mais quando eu estou ali. E avisei-a que ela tinha deixado cair um maço de tabaco vazio. Ela percebeu, corou, apanhou o maço de tabaco vazio e colocou-o na papeleira, ali mesmo ao lado. A papeleira não tinha fundo e o maço de tabaco vazio caiu para o chão, novamente. Ela riu-se para mim, não voltou a apanhá-lo e seguiu o seu caminho.

E eu fiquei ali a pensar que isto é capaz de ser um sinal, que fazer a coisa certa não resolve a questão de fundo.

23.8.08

Sempre os cheiros

É lamentável, a todos os títulos, que eu tenha chegado até esta altura da minha vida desconhecendo em absoluto as virtudes da cebola confitada. Seja qual for o ponto de vista, pergunto-me como foi possível esta lacuna na minha vida existência, esta ignorância do factor "cebola confitada" e da excelência que é a associação da cebola confitada ao azeite Romeu e a sublime experiência para o palato que é a associação destes dois ingredientes à flor de sal com noz moscada.

Sou um homem mais completo a partir de hoje. Ainda mais completo, queria eu dizer.

Se não é para isto para que servem os blogs, é para quê?

Dorean Paxorales sugeriu-me, num post ali em baixo, que lesse Bulgakov. Eu disse que sim e que havia de lhe agradecer.

Obrigado Dorean Paxorales, você estava certo(a). Gostei sim, pelo menos deste "Margarida e o Mestre", que era o único título de Bulgakov na FNAC do Colombo.

22.8.08

Não experimentem fazer isto em vossas casas

A culpa é minha, por me deixar chegar a esta idade sem saber a que velocidade se nos acelera o carro quando está em escuta o Carlos do Carmo, naquele concerto do Olympia, não sei se estão a ver, está o Carlos do Carmo na capa, de perfil, microfone na mão, aquele que tem uma etiqueta a dizer 1900 escudos.

Pois esta preciosidade, o volume no quarenta e três, as colunas Bose a mostrar porque é que um homem tem que pagar quase dois mil euros de extras, só para as ter, aditiva o gasóleo a um ponto tal que a velocidade, medida em quilómetros por hora, duplica o valor legar de circulação em auto-estrada.

E a autoridade, compreensiva, nem sei porque é que circula por aí a versão, que eu desminto categoricamente, de que a autoridade dispara sobre os tipos que não obedecem à ordem de paragem, a autoridade, sorridente, zelosa do seu dever de manter as estradas do país livres de gajos como eu, a autoridade, conclui, e aqui chamo a atenção para o excepcional poder de observação da autoridade, "então é por isso que você não parava, não ouvia a sirene". E eu, já fora do carro, as Bose ainda a debitar "Um homem na cidade", achei que era capaz de ser melhor não dizer que se fossem as Valquírias do Wagner, só me apanhavam com o Subaru naquela parte em que eu abrando, por causa dos gajos do campo de golfe.

21.8.08

Agora é só passar pela caixa rápida da FNAC, aquela que não tem operadora.

Escolho cientificamente a hora, não quero testemunhas. Nunca se sabe, nestas coisas todo o cuidado é pouco. Não me aproximo imediatamente do objectivo, faço de conta que estou interessado na secção de livros de filosofia. Vou-me aproximando, sei de cor o ângulo morto das câmaras de vigilância. Coloco os óculos escuros, que tiro do interior do sobretudo. Uma criança aos berros aponta para mim e a mãe afasta-se a correr. Talvez tenha estranhado a minha boina enterrada até às orelhas.
Estou agora a um metro do objectivo. Finjo interessar-me por uns produtos menores. Faço uma última inspecção visual, não vá estar nas imediações alguém que me reconheça. O campo está livre. Num milésimo de segundo, mais rápido que a própria sombra, agarro no CD de vinte anos de músicas do Tony Carreira. Ninguém viu, não há testemunhas. Missão cumprida.

20.8.08

So Faroe from me...

Apazigua-se a minha alma atormentada, espetámos cinco secos naquela equipa de pescadores de baleias, ou lá o que é. Quem quer saber agora do Nélson Évora e do fosso olímpico?

Cinco secos, pá. Enormes. Somos enormes...

Dois mil trezentos e catorze dias depois

"Nós preparamos os atletas desportivamente; culturalmente não. A educação não é connosco."

Vicente de Moura, referindo-se aos atletas olímpícos, 18 de Agosto de 2008

"Formámos o jogador, esquecemo-nos de formar o homem."

Manolo Vidal, referindo-se a Simão Sabrosa, 18 de Abril de 2002