15.11.08

Último episódio

Quando eu, o tipo que não é o Comendador Antunes de Burnay, resolvi criar este personagem, fi-lo para me divertir. O Comendador é tudo o que eu não sou. É elegante, marialva, veste bem e sabe de tudo. Quando não sabe, pergunta ao Tio Lancastre.

Acontece que ultimamente o Comendador tem sido mais um problema que uma diversão. Não falo das pessoas que confundiram o Comendador com o tipo que criou o Comendador, não falo sequer dos comentadores que foram aparecendo com comentários menos simpáticos. Continuam por aí, se eu ficasse zangado com comentários desagradáveis não teria caixas de comentários.

E eu, que sou o tipo que não é o Comendador mas que tenho o poder de o eliminar quando me parecer que ele já não faz sentido, decidi que era uma boa altura para terminar com ele. Não que me apeteça muito, note-se. O Comendador divertia-me, achava-lhe alguma piada. A questão é que o Comendador, só por existir, é desagradável para alguém, uma pessoa que me merece respeito, que merece paz e que tem o direito a não se cruzar com Comendadores.

Aos que foram aparecendo por aqui, obrigado por terem aparecido, obrigado por se terem dado a conhecer. Por razões óbvias, as caixas de comentários ficam fechadas a partir de agora.

Parecendo que não, é desagradável...

Ontem de manhã havia movimentação anormal junto à escola secundária. Miúdos com 13 ou 14 anos ocupavam a estrada e mostravam cartazes a dizer "Buzine por favor". Os condutores buzinavam, os miúdos aplaudiam e deixavam passar os condutores. Eu buzinei, afinal estava atrasado e os miúdos estavam divertidos naquilo que, pensei eu, seria uma brincadeira.

As notícias da noite diziam que houve um buzinão à porta da escola secundária, que os condutores manifestavam a sua solidariedade com a luta dos alunos em greve.

Senti-me um bocadinho aborrecido.

14.11.08

Um mole, é o que é...

Percebo o meu declínio intelectual quando passa o "Mamma Mia" na rádio e não mudo imediatamente de estação.

12.11.08

E parece que este fim de semana Sierra Nevada já está bastante aceitável...

De vez em quando apetece-me passar um dia agradável e informo que estou disponível para a formação da condução defensiva. Os recursos humanos sabem como é difícil que me apeteça passar um dia agradável e não hesitam, há sempre um lugar vago no dia seguinte.

Desta vez havia uma psicóloga, daquelas que espalham recortes de revistas que incluem gajos com aspecto abichanado, mulheres que nos bons tempos me despertariam algum interesse, rissóis de camarão, relógios caros e mandam-me escolher as figuras que se identificam comigo, com a minha forma de conduzir e outra coisa que agora não me vem à lembrança. Sei que o programa seguinte será ela meter-se comigo no meu carro, eu cheio de equipamentos que me medem a pulsação e mais não sei o quê, ela de bloco de notas na mão a tomar apontamentos sobre o meu estilo de condução, por isso divago na interpretação das figuras, até ao ponto em que acho que ela duvida da minha sanidade mental e pondera a possibilidade de inventar uma doença súbita que evite meter-se comigo no carro.

No final da viagem (Cascais estava excelente, ontem), ela extrapola o que viu do meu estilo de condução e avalia-me a personalidade. Calmo, ponderado e tranquilo. Tão tenrinha...

10.11.08

E a voz continua igual à do Bruce Springsteen

Durante o tempo em que deixei de tomar decisões, as acções da companhia valorizaram acima dos dois dígitos, o Brent baixou oito dólares por barril, o Benfica foi arrumado por uns turcos, nevou em Sierra Nevada, fui o único a quem deram o Nokia E61 e todos os outros já mandaram os HTC pela janela.

Dá que pensar.

Estão doze graus em Lisboa e treze na Castellana

É uma velha Zenit, comprada em Bratislava, no tempo em que ainda existia Checoslováquia. Quando a vi na montra, o preço escrito à mão, tive que voltar atrás. Toquei-a, apreciei o desenho austero, cheio de arestas, aspirei o cheiro do couro do estojo e comprei-a (nesse tempo podia comprar uma máquina Zenit, apesar da mochila à costas e do dinheiro contado).

Arrumei a fiel Nikon com dez programas, automáticos e semi-automáticos e passei a usar durante muitos anos a musculada Zenit, completamente manual, a precisar de tempo para regular a abertura do diafragma e a velocidade de obturação, cheia de manhas (era como as pressões de ar das feiras, sempre a precisar de correcção à mira).

Voltei a usá-la. Tenho vontade de voltar a fotografar com película. E eu, em tendo vontade...

Coisas que me tiram o sono

O meu medo é se fazem ao Nessun Dorma, do Turandot, o mesmo que a ZON fez ao La Donna e Mobile, do Rigoletto.